Interlúdio: Uniban como pré-texto para uma reflexão sobre Educação

Texto originalmente escrito para o Blog "No Rastro da Educação", de minha amiga Tania Nascimento. O blog está elencado no meu blogroll.



A foto que você, caro leitor, vê acima é do clube de vôlei Mizuno-Uniban. A estrela acima, à esquerda, é aquela mesma que o leitor já suspeitou, bom fisionomista que é: Ana Moser. Naturalmente, a grande jogadora já foi garota propaganda da Universidade. Mas ela não está só: Martinho da Vila já o foi (aproveitando o mote: “é particular, ela é particular”, pra dizer que “nessa particular você pode estudar”...). O peixe vendido pela Uniban sempre foi o da Responsabilidade Social. Por isso, ela estaria comprometida com belas ações sociais (além do esporte...), o que fez com que, além de Ana Moser, Martinho da Vila, Vicentinho (ex-presidente nacional da CUT) e Juca de Oliveira também fizessem propagandas entusiásticas sobre tal Instituição. Movido por valores, creio eu.



Comentando com um respeitável senhor os recentes episódios, e do quanto a Uniban talvez não pudesse mais contar com tais garotos-propaganda de luxo, tal senhor, brincando comigo arrematou, com bom humor “pragmático”: “é só ‘renegociar’ os valores”.



A ambiguidade do termo pode ter rendido um sorriso amarelo no semblante do leitor. E umas “coçadelas de cabeça” na Reitoria daquela pífia instituição de ensino “superior”. A estrutura física da Uniban é moderna. Os “campi” oferecem conforto. Devem ter bons refeitórios ou lanchonetes. É a quarta maior Universidade do Brasil, em número de matrículas. Ocupa a singela posição de número 159 no ranking classificatório-qualificatório do Mec, especificamente no quesito “ensino” , em 175 avaliadas (esqueçamos as instalações físicas e qualquer “mimetismo com shopping-centers”, all right?!). Ou seja, a quarta maior Universidade do país, em termos de número de alunos, é a 16º pior em termos de qualidade de ensino.



Pra não se dizer (ou se pensar) que tenho particular antipatia pela Uniban, farei singela digressão sobre outra universidade particular de "Ensino Superior" que fica na rua de meu antigo consultório (lá trabalhei até um mês e meio atrás): a Uninove. Seu singelo slogan diz assim: “A Uninove é Dez”. Seu carro-chefe em termos de propaganda (cartazes no metrô, outdoors na cidade, propaganda na TV) é outro esportista-empresário de sucesso: o Bernardinho, do vôlei. Qual a imagem? Homem de sucesso, empreendedor, disciplinador. Self-made man. “Você pode”, eis o lema, típico dos filmes americanos no estilo Rocky Balboa.



As instalações da Uninove eu conheço por dentro: fiz exame para Concurso público em Psicologia (para trabalhar em UBS, na periferia) em suas instalações. Passei com folga, frise-se, num concurso com 9000 candidatos. Não houve dez notas maiores do que a minha. E os critérios de desempate eram: entre casado e solteiro, casado (sou solteiro). Entre homem e mulher, mulher. Com filhos ou sem, com filhos. (Não os tenho). Pontuação extra por carreira em serviço público (não havia trabalhado em serviço público). Contei só com minha pontuação, o que seria suficiente se houvesse um sexto das vagas (eram pouco mais de 150). Depois de três anos e pouco de trabalho, pedi exoneração para poder fazer denúncias administrativas dos meus superiores, tendo nota máxima em todos os quesitos, outorgadas por esses mesmos superiores (!). Dei-lhes um prazo para corrigirem distorções presenciadas (que incluíram má conduta medicamentosa, assédio moral a pacientes meus e cooptação de pacientes psiquiátricos para “complementação de tratamento em serviços privados, por baixo do pano”; alguns desses serviços sendo, inclusive, de natureza neoxamânica; "neoxamanismo mercantilista", foi a minha denúncia), ou então agiria. Cumprido o prazo dado, exonerei-me e agi. Ou seja: comprar briga não é coisa que eu só faça em blogs... rs rs rs




As instalações da Uninove (“A Uninove é Dez”) soam dignas de um shopping. Catracas eletrônicas, seguranças, praça de alimentação de qualidade. Há um excesso de barzinhos e mesmo botecos (“portinhas de botecos”, inclusive) no em-torno /entorno, mas isso não é de responsabilidade da Universidade, cumpre dizer. Não há mesas suficientes, e a qualquer hora que se passe pela região se achará centenas (pelo menos duas centenas) de estudantes com copos na mão, de pé, nas calçadas, pela lotação das mesas e cadeiras. Ambulantes também ocuparam a região próxima ao Memorial da América Latina para vender lanches e bebidas. Os estudantes de hoje bebem muito, é uma constatação que fiz “in loco”: antes das aulas e nos intervalos. Isso é fato. Muito mais do que estudantes de minha geração. E já estudei alguns semestres em farmácia e Bioquímica na Usp, na Escola de Comunicação e Artes (Eca) e na Psicologia. Ou seja, passei por três faculdades até optar por carreira que me realizasse. E a geração de hoje (universitária) bebe mais no cotidiano. E começa a beber mais cedo.




A Uninove fez uma jogada de mestre, mercadologicamente falando. Seus cursos são divididos em módulos. Se você opta por Engenharia Civil, por exemplo, tem a seguinte “progressão de carreira”, mesmo antes de sair dos bancos escolares: antes de se formar em Engenharia Civil propriamente dita (supõe-se ter sido este seu objetivo...), você ganha uma “qualificação profissional” em Controle Tecnológico do Concreto. No terceiro ano, você já está apto a receber uma “diplomação” de Gestão em Construção Civil. Após o que, diz-se estar você habilitado a fazer uma Pós (Especialização, considerada exatamente nesses termos) em Engenharia Civil que, em tese, é o curso para o qual você teria se inscrito originalmente. A qualificação que antes era mínima, já foi transformada em “pós” por tal grade classificatória. Não é engenhoso?! Você poderá encontrar isso em todos os cursos, sob a alegação desse método exponenciar a sua empregabilidade a níveis logarítmicos. Sim: “otimiza a empregabilidade”. Dez! Se o seu interesse for Letras, por exemplo, você ganha uma Qualificação Superior (aos dois terços do curso) que te “legitima” como um Revisor de Textos em Língua Portuguesa. Sua “pós” será em Letras propriamente ditas. E por aí vai...




A Uninove chegou aos noticiários por alguns trotes violentíssimos, os quais não vou reprisar aqui. O interessado que faça pesquisas no Google. Digite: trotes na Uninove e verá a barbárie. Isso não é apanágio nem privilégio de universidades pagas, bem o sabemos. Vide a Medicina da Usp com a morte do calouro chinês na piscina, há alguns anos atrás. De qualquer maneira, explicito aqui algumas variáveis do Ensino Superior: em-torno/ entorno, oferta mercadológica & manhas-de-nomenclatura , papel da propaganda, instalações “ao modo dos shopping centers” e total falta de excelência no ensino propriamente dito. A qualificação da Uninove é igualmente pífia. Mas sua pontuação no IGC (Índice Geral de Cursos), 213 pontos, relativamente à Uniban (195), torna-a quase um micro-projeto de Sorbonne brasileira, a se julgar a quantas anda nossa Educação, nivelada por baixo. E ainda o número de universidades pífias a formar "fornadas" de milhares de alunos com sub-qualificações, agora em "sub-modalidades", ad infinitum. Mas se pegarmos a média de uma Universidade Particular com ilhas de competência, como a Universidade Presbiteriana Mackenzie, malgrado toda a decadência do ensino em geral, veremos que seus 304 pontos de IGC demonstram o chão que as outras ainda precisam caminhar. E o quanto ela também precisa. Diga-se de passagem que a pontuação limite seria 500. Difícil?! A Fundação Getúlio Vargas, também particular, marcou 458 pontos nesse placar... Placar médio, diga-se de passagem. Seus melhores alunos bordejam a nota máxima, com grande frequência. Em regrinha de três simples, temos as respectivas notas das instituições citadas, numa escala de 0 a 10: Uniban:3,9; Uninove:4,26; Mackenzie: 6,08; Getúlio Vargas: 9,16. Barbaridade...




Educação, em sentido amplo, demanda ambiente familiar, disponibilização de aparelhos/equipamentos e símbolos culturais à sociedade (espaços de convívio e produção cultural, qualidade da mídia aberta) e ensino escolar. São essas as variáveis. Isso é parte do background de uma formação humana. Se o sujeito aprende música em nível escolar, desenvolve um raciocínio numérico-temporal, que lhe permitirá desenvolver abstrações matemáticas. Além de ser uma educação sensível, também. Estética. Se ele participar de grupos musicais, será uma educação do convívio. Não é á toa que mentores de bons projetos sociais, como a ONG Meninos do Morumbi, usa tão bem a música. A ONG Gol de Letra, de Raí e Leonardo, usa esporte, artes circenses e educação, além de formação técnica e socialização com família e comunidade.




Aqui em São Paulo, realidade que conheço, recebia encaminhamentos “às pencas” de crianças de terceira e quarta séries do ensino fundamental , analfabetas, com as coordenadoras pedagógicas ávidas por encontrar algum déficit em psicomotricidade, exames de quantificação de inteligência e outras tabulações congêneres, solicitando-me, enfim, massivas baterias de exames, para justificar, por exemplo, o encaminhamento de trinta alunos de uma única sala de aula (!) que teriam de apresentar proficiência mínima em leitura e matemática para chegarem á quinta série. Ou seja, com medo da má avaliação de seu ensino, essas professoras e coordenadoras pedagógicas procuravam álibis em déficits emocionais e ou cognitivos (hiperatividade, por exemplo, passou a ser o “rótulo diagnóstico leigo preferencial” para qualquer criança mal criada, mimada ou caprichosa) para justificarem seus fracassos. Isso, quando não esperavam de mim o papel de “dublê de professor”, provavelmente usando giz e lousa, fazendo construção silábica em local destinado a cuidar de saúde emocional de crianças órfãs, abusadas em seus lares, ou que viram um primo ser incendiado no carro, por dever ao tráfico de drogas.




Além da falta de perspicácia de muitos professores do ensino fundamental que confundiram “cópia” com domínio lógico-conceitual da escrita (“ele é caprichoso, doutor, dispõe de todo o conhecimento de que precisa, na escola faz tudo, em casa, nada”...; “claro, minha senhora, ele copia o que está na lousa; em casa, copiará de quem?”), tem-se várias distorções. Vamos a alguns dados importantes, obtidos em pesquisa com cerca de 500 escolas públicas do Brasil, envolvendo 20000 entrevistados, entre alunos, pais, professores, diretores e funcionários. De acordo com a pesquisa Preconceito e Discriminação no Ambiente Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 96,5% dos entrevistados têm preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 91% de geração, 87,5% socioeconômico, 87,3% com relação à orientação sexual e 75,95% têm preconceito territorial. Vamos definir preconceito territorial: onde nasceu e onde mora. De que cidade veio, e a rua/bairro onde mora. O sujeito veio do interior ou da roça, fala com sotaque, mora numa rua “pior do que a do coleguinha”, sua mãe fala mais certo ou errado do que a do coleguinha, etc.



Vamos lá. Os piores preconceitos (bem antes dos raciais) são os referentes às deficiências físicas e ou mentais. E envolve os pais dos alunos, inclusive. As crianças que serão vítimas de bullying (tradução livre: “massacre moral”) serão as menores, as mais frágeis, as com lábio leporino, as que mancam, as com desvios na coluna, as anãs, as que “babam em sala de aula”, as “quatro olhos” (míopes), estrábicas, as “retardadas”, etc e tal. Para pais e estudantes. Grande novidade, né?! As crianças são estimuladas a passeios ao Playcenter, a parques e zoológicos, a circos. Por que não vão assitir palestras e visitar APAES, Orfanatos, AACDS, locais que cuidam de portadores de paralisia cerebral? Por que não vão, COM SEUS PAIS, a asilos, por exemplo? Na verdade, ficou demonstrado que há um grande preconceito com professores idosos e funcionários idosos. E que esse preconceito INCLUI OS FUNCIONÁRIOS DAS ESCOLAS. Bom aqui as questões puramente mamíferas de seleção de espécie pelos mais fortes e vigorosos/ “varonis” está e pauta: seja na questão das deficiências físicas /mentais (que incluem um componente estético de repulsa, pra piorar ainda mais a coisa...), seja na questão do “tiozinho ser velho demais pra dar aula, mano”... Aqui temos uma subavaliação do idoso como “sucata pouco vistosa”.



Não falarei aqui dos preconceitos de raça e gênero, não porque os ache menos importantes, mas por eles já serem mais contemplados pela mídia. Tendo essa discussão, portanto, mais familiar a um público maior.



Vamos a esses números: Os deficientes mentais são os que sofrem maior preconceito com 98,9% das pessoas preferindo manter distância social dos mesmos. Vamos a outros índices dos que querem manter distância (pais e alunos): ciganos (97,3%), deficientes físicos (96,2%), índios (95,3%), pobres (94,9%), moradores da periferia ou de favelas (94,6%), moradores da área rural (91,1%). Excluí, deliberadamente, “questões de gênero”, para atentar o leitor para variáveis outras fora dos bordões “batidos à exaustão”, quais sejam: negros ( a questão de quotas trouxe à baila a discussão) e homossexuais (os militantes adultos do direito á manifestação de escolha de gênero mudarão esse quadro em poucas décadas). Mas e a questão de fulaninho é mais fraco, menor, menos saudável, mais sujinho, de uma rua de barro, com sotaque caipira, vindas de escolas PÚBLICAS? É surpresa que tenhamos uma classe média, DE ESCOLA PRIVADA, que incendeie ÍNDIO, dizendo achar tratar de ser só um MENDIGO? E para dar um SUSTO? Com aval de seus pais?! (“Era brincadeira, os meninos não fizeram por mal”...).




Temos uma classe média horrorosa. Crescida com vídeo games, que aprende a “vídeo-gamezar” a vida em geral e seus interlocutores como títeres para seus caprichos e taras. Pontua-se (sim, "marca-se ponto") por assassinatos e delitos cometidos (saques, estupros), em tais vídeo-games (criados pela Sony e outras multinacionais, sem nenhum escrúpulo ou compromisso social). Mateus da Costa Meira, que já mandava spy e vírus maliciosos a empresas e pessoas físicas, repetiu, em sala de cinema, uma cena de um desses vídeo-games. A videogamezação da vida coloca o sujeito sob a égide do instinto cru, e do “princípio de prazer”, na terminologia freudiana. O princípio de prazer, fundamentalmente voraz e egoísta, precisa dialogar e reconhecer o “princípio de realidade”, dentro dessa mesma leitura psicanalítica. Friso que não sou freudiano, mas ele é o psicanalista mais didático que posso citar. Não há nobreza alguma no instinto cru: ele precisa ter uma personalização e socialização para enxergar o outro como interlocutor. Mais-que-objeto: pessoa. A videogamezação da vida opera em sentido oposto: transfigura (e “subfigura”) as pessoas como “etapas a serem vencidas numa escala de pontos individuais”. A leitura de mundo das competições premiadas a dinheiro, como se dá nos “realities shows”, patrocinam/ promovem a mesma lógica.




Nossa classe média é horrorosa. Em média. A estudante Geysi Arruda, de forma pueril, inadvertida ou divertidamente, operou sua inserção na Universidade dialogando num registro onde não se pode esperar nobreza da “horda”. Homens em bando (ou em Unibandos) são “horda”, ou “gangue”. Eros só é bem trabalhado em nível de “personalização do vínculo”. Eros impessoal é “cru”. Voraz. A “impessoalização/ despersonalização” do “ver instintivo” do “outro-anônimo-como-coisa” dá nessa merda toda, em tempos “globalizantes” como os nossos. Os caras olham pra menina como se masturbam em frente às telinhas dos computadores, ou como “comem” as atrizes pornôs com os olhos. Geyse quis estar “bem na fita”. Ficar bonita, sedutora. Errou no cálculo. Subestimou a não-nobreza do registro de apresentação escolhido. E a horda de babacas se manifestou. Não é à toa (e não por moralismo pueril, mas por conhecimento da natureza humana) que a psicanálise, as ciências sociais e também as religiões sempre souberam que escolher a sexualidade como “cartão de visita” é um mau negócio para o relacionamento humano. Da mesma maneira que escolher slogans ou palavras de ordem. Atavismo. Simplesmente isso.




Ou a Uniban se repensa a partir desse episódio (que é só a ponta de uma série de mazelas), ou (man)terá os alunos que merece. Esses mesmos.










Marcelo Novaes

4 comentários:

Carolina disse...

Existem vários desfechos e conclusões para esta história, mas no fundo não acreditamos, olhando de longe com certo distanciamento, uma atitude que só reforça o quanto permanecemos no fascismo.
Ainda mais num território universitário onde partimos do pressuposto que habitam pessoas pensantes.
Gostei da sua visita e gostei mais ainda de cada um do seu blog. Vou viver aqui, em todos blogs, com mais tempo para conhecer outros post antigos.

Bjos meus

Marcelo Novaes disse...

Carolina,




Não são pessoas inteligentes. Na UNB (Universidade Nacional de Brasília), alunos fizeram protestos tirando a roupa. Eles se conhecem mais (ou seja, é um protesto "pactuado", nenhum gesto isolado e mal interpretado ), articularam a coisa em grupo, pensam melhor, subtraíram qualquer anonimato ou fetichismo ao ato, e trata-se de uma instituição muitíssimo mais qualificada.



Algumas instituições de ensino superior são "fábricas de diploma", nada mais. Conheço um moça de Santos que fez Letras na Uninove. Eu a conheci num seminário sobre Web Literatura no Sesc, em 2008. Falei pra ela: "Atendo na mesma rua, vá me visitar, ao sair do curso, ou em algum intervalo de aula". Resposta: "eu vou ao curso só nas manhãs de sábado, e quinzenalmente". "Feitura fracionada" de um "curso" pago integralmente...



Por aí vc vê como funcionam muitas dessas instituições. Há os auto-didatas e pessoas mais críticas. Mas a massa que, em grupo, pensa pouco e age como uni-bando em situações propícias é grande.



A atitude é totalmente atávica, como eu disse. Tribal no pior sentido do termo (sem canalização do atavismo num ritual com fins inteligentes). Nazista, sim.







Beijos, e muito obrigado pela presença!













Marcelo.

sopro, vento, ventania disse...

Marcelo,
Fiquei tão impressionada com o episódio envolvendo essa aluna. Fiquei mal, por perceber o quanto o ser humano continua a mercê de certos códigos de valores tão arcaicos.
Vim conhecer esse seu outro espaço e eis que me deparo com um posicionamento seu que não poderia ser outro: o de elaborar um texto para reflexões.
Acho que não há outra saída para tentarmos conseguir um mundo com atitudes mais humanas a não ser o 'dizer sobre'. Também postei algo, bem (bem, bem, bem) menos audacioso do que esse seu rico texto.
Não acredito em reflexões vãs, em atitudes contestatórias levianas (apesar de que ache que cada um pode fazer o que bem entender cmo a sua vida; não consigo conceber a vida de outra forma, a não ser com a liberdade - ou suposta liberdade ou pretensa liberdade ou sonhada liberdade - de ir e vir. Mas voltando... acho que seu texto está para além de uma pura e simples contestatação, mas, sim, para a pura e legítima reflexão humana, que deveria ser carro-chefe de toda composição de todas as vidas.
O fato é que Geysi é um ser humano, caramba, e como tal (se de vestido roxo, amarelo, sensual ou contido) merece o nosso respeito por ser humana. E, sinceramente, não consigo não ficar triste com esse lastimável episódio que, em contrapartida (apesar da humilhação sofrida pela aluna) tem nos feito pensar e conversar sobre essa 'velada' forma de preconceito. Hoje ela é capa da Veja, leiloará o tal vestido pela internet e aparecerá no Casseta e Planeta. Fico feliz que a mesma sociedade que a execrou de um dia de aula esteja, agora, fazendo com que ela tente superar o que ocorreu (ainda que com outros atores em cena em uma e em outra sociedade).
Fico pasma quando vejo adolescentes de 14, 15 anos dizendo que, sim, ela deveria ter sido expulsa. Mesmo depois de tantos diálogos sobre o assunto.
Exaustivos diálogos sobre o assunto.
Imprescindíveis diálogos sobre a preservação de uma liberdade que levamos tanto tempo para conseguir.
Adorei! Parabéns pela coragem.
Beijos, Cynthia

Marcelo Novaes disse...

Cynthia,



Grato pela análise. Meu texto é só uma base para a reflexão de cada um.



;)







Beijos,





Marcelo.

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